23 de Janeiro de 2012

duche em cabine

Sandra fechou a água do chuveiro, passou as mãos pelo cabelo que esticou para trás para tirar o excesso de água, deixou cair os braços ao longo do corpo e ficou, por um instante, a olhar para a cabine de duche fechada, que era uma das poucas coisas que o seu ex-marido tinha feito e deixado em casa. “Mas queria arrancá-la, o estúpido!”, reprovou, abanando a cabeça, recordando-se da fita que ele tinha feito em volta daquele pedaço de vidro e alumínio. “A única coisa que fez bem feita em três anos de casamento e, no fim, queria levá-la e deixar os azulejos cheios de buracos e o poliban cheio de cola ou lá o que é aquilo branco...” Sandra encolheu os ombros, empurrou as portas deslizantes para longe uma da outra – mas não muito que a abertura era pequena – e saiu. Pôs os pés no tapete dobrado, olhou para o roupão de banho pendurado no cabide da porta, sem perceber agora como o tinha usado tantas vezes para se secar, agarrou no toalhão que estava ao lado e embrulhou-se. Limpou-se com satisfação, gostava do corpo que limpava. Gostava da mulher que era. “Se fosse hoje” pensou, “tinha-o deixado levar a cabine. Até o ajudava a tirá-la. Não ficava cá nada que ele tivesse feito!” Sorriu com uma careta: a filha não entrava nessas contas.

1 comentários:

São Rosas disse...

E terá sido ele mesmo que a fez?